sábado, 6 de fevereiro de 2010

Mas só a mim é que é fatal ??


Todos temos a sensação que sabemos o que é o amor e ao mesmo tempo que não o conhecemos nunca completamente. Também vemos à nossa volta como as pessoas são capazes de amar de formas tão diferentes. Será então que existe uma coisa que é o amor, ou existem vários tipos de amor diferentes?

Quando não se sabe bem como justificar um inesperado comportamento sentimental há uma palavra que é sempre chamada em jeito de explicação: química. Afinal, no senso comum, a química remete para uma ciência um tanto ou quanto misteriosa, que lida com matérias quase transcendentes. Mas será ela a culpada por todas as loucuras cometidas em nome do amor e do prazer?

A palavra química dá-nos imenso jeito porque serve para explicar tudo. Afinal, ninguém tem culpa de nada. "Foi a química…".

As mulheres procuram cada vez mais a satisfação sexual e se o companheiro habitual não consegue oferecê-la, acabam por buscá-la, mesmo que inconscientemente, fora dessa relação. E aí surge a química com alguém especial. Se calhar, até podemos dizer que foi a química, pois a atracção é algo que é muito fácil de reconhecer, mas muito difícil de explicar.

A paixão avassaladora funciona, em termos evolutivos, enquanto garantia de propagação da espécie, pois a atracção e o desejo pelo outro é tão fulminante que acaba em contacto sexual. Isto não passa de um instinto humano e tão forte como, por exemplo, a fome. Há um impulso incontrolável para a relação, derivado de mudanças em termos químicos. Animalesco? Chamemos-lhe de amor romântico.

É aquilo a que nos habituámos a chamar de paixão. Há uma tremenda explosão de energia, de interesse em estar com o outro. Uma euforia quando as coisas correm bem, um desespero terrível quando vão mal. Não se consegue deixar de pensar no outro. Há uma tendência para a obsessão, para a procura compulsiva, um vicío.



Por que nos sentimos fatalmente atraídos por determinada pessoa? Normalmente, as pessoas apaixonam-se por alguém com quem interagem, mas, sobretudo, por alguém que considerem misterioso. Depois, a maior parte interessa-se por pessoas com o mesmo background sociocultural e com atitudes,expectativas e interesses paralelos. Fundamental também,é o nosso passado amoroso. Crescemos num mar de experiências que moldam as nossas escolhas românticas. Milhares de forças subtis, e invisíveis, constroem os nossos interesses, valores e crenças amorosas. Daí que, quando encontramos alguém que encaixe nesse complexo puzzle, o mecanismo da atracção química desperte.

Depois de um passado desastroso estaremos destinados a atracções literalmente fatais?? Ou simplesmente mau karma que se dissolve com o passar do tempo??

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